Alerta no Tocantins: Resgates de animais silvestres crescem 40% e área urbana concentra a maioria dos incidentes
08/03/2026
(Foto: Reprodução) Aumento do número de sucuris vistas perto de propriedades preocupa moradores
O período de chuvas intensas no Tocantins trouxe um alerta para a população: o aumento expressivo na circulação de animais silvestres, especialmente serpentes como a sucuri, em perímetros urbanos. Dados consolidados de 2025 e os primeiros registros de 2026 confirmam que a invasão desses animais nas cidades não é apenas uma impressão dos moradores, mas uma realidade estatística.
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Salto nos resgates
De acordo com o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), por meio do Centro de Fauna (Cefau), houve um aumento de 31% a 40% nos atendimentos a animais silvestres em 2025 em comparação ao ano anterior. Ao todo, 683 animais passaram pelo centro no último ano, contra 491 em 2024.
70% dos acidentes são na cidade
Um dado que rompe com o senso comum vem da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Segundo balanço divulgado pelo órgão em março de 2025, do total de acidentes com animais peçonhentos registrados no estado, 4.073 (70%) ocorreram em áreas urbanas, enquanto apenas 1.620 (28%) foram na zona rural. O mês de janeiro, auge do período chuvoso, lidera o número de notificações.
Sucuri de 4,5 metros encontrada morta no Parque Cesamar em 2013. A bióloga Karine Bernardo e o sub-inspetor da Guarda Metropolitana de Palmas, Gilberto Ferreira, seguram o animal.
Valério Zelaya/Ascom
Sucuris em áreas residenciais
Em Palmas, a Guarda Metropolitana Ambiental (GMP) tem intensificado as capturas. Em janeiro de 2026, equipes resgataram animais em áreas próximas ao Hospital Geral de Palmas (HGP) e em tubulações de esgoto no Jardim Bela Vista. A orientação é que a população jamais tente a captura por conta própria.
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Causas do fenômeno
O engenheiro agrônomo e observador meteorológico Francismar Rodrigues Gama, de 57 anos, explica que o transbordamento de córregos e o alagamento de várzeas — habitats naturais da sucuri — empurram esses animais para galerias pluviais, que funcionam como "estradas" para o centro das cidades.
“Quando o volume de água aumenta muito, a tendência é que esses animais se desloquem para áreas onde conseguem circular com mais facilidade.”
Sucuri com mais de 4 metros é vista em aldeia no Tocantins em 2022
Reprodução/TV Anhanguera
O que fazer?
Não tente capturar ou matar o animal. Ele pode reagir por defesa. Sucuris, embora não possuam veneno, têm mordida forte e agilidade na água.
Telefones de emergência:
Guarda Metropolitana Ambiental (Palmas): 153
Corpo de Bombeiros: 193
Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA): 190
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